31 março 2026

Quando todos colaboram, persistimos mais em tarefas para o bem comum

 

Você ajuda, eu ajudo

A percepção do esforço dos parceiros leva a um maior envolvimento das pessoas, influenciando o nosso empenho e aumentando o sentimento de compromisso em ações conjuntas, levando a um maior esforço, persistência e desempenho mesmo em tarefas aborrecidas e exigentes.

Em outras palavras, perceber o empenho de quem está cooperando conosco em uma tarefa conjunta reforça os recursos cognitivos que nos ajudam a manter o compromisso e resistir à tentação de abandonar a ação conjunta.

Em comparação com outras espécies, os humanos cooperam entre si de uma forma mais flexível e em uma maior variedade de contextos. Essa predisposição pró-social nos leva a contribuir para objetivos compartilhados e para os objetivos dos outros, pondo muitas vezes de lado interesses imediatos para beneficiar parceiros e grupos sociais mais amplos. Essa é a essência do voluntariado, por exemplo.

Apesar de se saber que essa percepção do esforço colaborativo aumenta a nossa vontade de persistir, Marcell Székely e colegas da Universidade Estadual de Milão (Itália) queriam entender melhor os processos cognitivos e motivacionais subjacentes a estes efeitos.

Mecanismos de controle

Para investigar os mecanismos envolvidos, a equipe montou experimentos nos quais os participantes deviam realizar uma tarefa monótona de atenção. Antes de cada bloco da tarefa, os participantes observavam o seu parceiro resolver um pequeno desafio visual usado para verificar que um utilizador é humano, como interpretar uma sequência de caracteres distorcidos. Quando essa sequência era curta e rápida de resolver, o parceiro parecia ter investido pouco esforço; quando era longa e demorada, sugeria um esforço elevado. Essa manipulação simples alterava a percepção que os participantes tinham do esforço do parceiro.

Manipulando deste modo a percepção do esforço do parceiro, os cientistas mediram a forma como os participantes respondiam à ocorrência de erros (tempo de reação pós-erro) em uma tarefa. Além de medir os erros diretos na tarefa, os pesquisadores analisaram o abrandamento que tipicamente ocorre nos ensaios seguintes, um sinal de que o cérebro está reforçando o controle atencional para recuperar o foco.

Emergiu um padrão robusto: Após errar, os participantes abrandavam mais quando acreditavam que o parceiro tinha investido muito esforço. Esse abrandamento extra sugere que o cérebro reforça os mecanismos de controle necessários para recuperar o foco e continuar a tarefa, como se mobilizasse recursos adicionais para não comprometer a ação compartilhada.

"Na medida em que a desaceleração após um erro é um indicador de maior controle atencional supervisório, os nossos resultados sugerem que a percepção do esforço do parceiro pode reforçar o controle cognitivo para afastar a tentação de abandonar a ação conjunta," disse o professor John Michael. "O estudo mostra que perceber o empenho de quem coopera conosco não torna necessariamente a tarefa mais agradável, mas reforça os recursos cognitivos que nos ajudam a manter o compromisso."



Fonte: - www.diariodasaude.com.br

URL: https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=quando-companheiros-colaboram-persistimos&id=17212&nl=nlds

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05 março 2026

União da eletrônica com a biologica: Células vivas cultivadas em transistores

 

Transístor macio

Pesquisadores venceram um desafio de longa data para a bioeletrônica e a eletrônica orgânica, que vinha impedindo o avanço das conexões entre o biológico e o tecnológico.

Dingyao Liu e colegas da Universidade de Hong Kong criaram transistores 3D macios, feitos de materiais que permitem uma conexão mais robusta com os tecidos biológicos.

Os transistores tradicionais à base de silício, que são os blocos fundamentais da eletrônica moderna, são rígidos e tipicamente bidimensionais, o que dificulta sua integração com sistemas vivos, que são macios e tridimensionais. Por isso tem havido um grande esforço para projetar e fabricar transistores macios e tridimensionais, que sejam capazes de imitar tanto o comportamento quanto a estrutura das células vivas.

Neste caso, a equipe se concentrou diretamente na reprodução do comportamento dos neurônios no cérebro humano.



Foram necessários cinco anos de trabalho, mas a equipe finalmente conseguiu desenvolver os primeiros transistores 3D flexíveis do mundo.


Da eletrônica rígida 2D à eletrônica flexível 3D: Aumentando a dimensionalidade dos transistores com semicondutores de hidrogel 3D.
[Imagem: Dingyao Liu et al. - 10.1126/science.adx4514]





Semicondutor de hidrogel

Em lugar do silício ou outros equivalentes inorgânicos, a equipe usou um tipo especial de semicondutor, conhecido como semicondutor de hidrogel.

Ao contrário dos semicondutores convencionais, esses semicondutores de hidrogel são macios, biocompatíveis e sintetizados em água por meio de um processo de automontagem 3D. Eles possuem propriedades semelhantes às dos tecidos vivos e apresentam uma espessura recorde que os torna capazes de abrigar células vivas.

Esses componentes inovadores representam um grande avanço na fusão da eletrônica com a biologia, abrindo possibilidades não apenas para o futuro da bioeletrônica, mas também com potencial para impulsionar pesquisas de ponta em eletrônica biohíbrida, neurociência, tecnologia da saúde e pesquisas médicas.

Saúde

"Este é apenas o começo de uma nova era da bioeletrônica. Com otimizações adicionais, esses biochips 3D com consistência de gelatina podem revolucionar a saúde, a educação e até mesmo o cotidiano. Aguardamos ansiosamente o lançamento de regulamentações que orientem o desenvolvimento dessas tecnologias inovadoras para uso médico," disse o professor Shiming Zhang, coordenador da equipe.


Fonte: Criados transistores 3D macios, capazes de abrigar células vivas
Checagem com artigo científico:

Artigo: Increasing the dimensionality of transistors with hydrogels
Autores: Dingyao Liu, Jing Bai, Xinyu Tian, Yan Wang, Binbin Cui, Shilei Dai, Wensheng Lin, Zhuowen Shen, Chun Kit Lai, George G. Malliaras, Shiming Zhang
Publicação: Science
Vol.: 390, Issue 6775 pp. 824-830
DOI: 10.1126/science.adx4514

26 fevereiro 2026

Para viver mais, pratique vários tipos de exercícios, e não muito de um só

 



Ainda às voltas com a dúvida acerca de qual tipo de exercício físico será melhor para você?

Pois saiba que praticar regularmente uma variedade de atividades físicas pode ser a melhor estratégia para prolongar a vida. Contudo, as associações não são lineares, o que significa que não adianta se estressar para tentar fazer exercícios demais.

Ainda às voltas com a dúvida acerca de qual tipo de exercício físico será melhor para você?

Pois saiba que praticar regularmente uma variedade de atividades físicas pode ser a melhor estratégia para prolongar a vida. Contudo, as associações não são lineares, o que significa que não adianta se estressar para tentar fazer exercícios demais.

ão duas descobertas fundamentais: (1) A variedade de exercícios, em contraposição a simplesmente fazer sempre o mesmo exercício, está ligada a um menor risco de morte, independentemente da quantidade total. (2) Um estilo de vida ativo continua sendo importante por si só.

E são conclusões muito bem embasadas: Os dados foram baseados em dois grandes estudos de coorte com avaliações repetidas de atividade física ao longo de mais de 30 anos: o Estudo de Saúde das Enfermeiras (121.700 participantes do sexo feminino) e o Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde (51.529 participantes do sexo masculino). Os participantes de ambos os grupos relataram suas características pessoais, histórico médico e informações sobre estilo de vida no momento da inscrição e, posteriormente, a cada dois anos.

As informações coletadas incluíram treinamento com pesos ou exercícios de resistência; exercícios de baixa intensidade, como ioga, alongamento e tonificação; outras atividades vigorosas, como cortar a grama; trabalho ao ar livre de intensidade moderada, como manutenção e jardinagem; trabalho ao ar livre de alta intensidade, como cavar e cortar; e lances de escada usados diariamente.

Não precisar exagerar

Os participantes com níveis mais elevados de atividade física total apresentaram menor probabilidade de ter fatores de risco para a saúde, incluindo tabagismo, hipertensão e colesterol alto. Também apresentaram maior probabilidade de ter menor peso (IMC mais baixo), consumir álcool, ter uma alimentação saudável, ser mais integrados socialmente e, claro, praticar uma gama de atividades físicas, e não apenas uma.

A atividade física total e a maioria dos tipos individuais de atividade física, com exceção da natação, foram associadas a um menor risco de morte por qualquer causa. No entanto, as associações não foram lineares e, para a atividade física total, estabilizaram-se após atingir 20 horas semanais, sugerindo que pode haver um limiar ideal, afirmam os pesquisadores.

Caminhar foi associado ao menor risco de morte, de 17%, para aqueles que caminhavam mais, em comparação com aqueles que caminhavam menos, enquanto subir escadas foi associado a um risco 10% menor.

As associações observadas para os outros tipos de atividade física (menos vs. mais) foram as seguintes: Tênis, squash ou raquetebol: risco 15% menor; remo ou calistenia: risco 14% menor; musculação ou exercícios de resistência: risco 13% menor; corrida: risco 13% menor; caminhada: risco 11% menor; e ciclismo: risco 4% menor.

Contudo, o troféu vai para uma maior variedade de atividades físicas, que foi associada a um menor risco de morte. Após ajuste para a quantidade, a prática da mais ampla gama de atividades físicas foi associada a uma redução de 19% no risco de morte por todas as causas e a uma redução de 13% a 41% no risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias e outras causas.



Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL: https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=pratique-varios-tipos-exercicios&id=17171&nl=nlds

LUZ NATURAL - Exposição à luz natural melhora saúde metabólica e diabetes

 


Exposição à luz natural melhora saúde metabólica e diabetes


Um ensaio clínico feito com pacientes portadores de diabetes tipo 2 mostrou que a exposição à luz natural resulta em níveis de glicose no sangue mais estáveis, além de produzir uma melhora geral no perfil metabólico.

Assim como em todos os seres vivos, os processos fisiológicos humanos estão sujeitos à influência do ritmo circadiano, ou relógio biológico, regido pela alternância entre o dia e a noite. Esse mecanismo é controlado por um relógio central no cérebro, que sincroniza relógios especializados em órgãos periféricos, como o fígado e os músculos esqueléticos.

"Já se sabe há vários anos que a perturbação dos ritmos circadianos desempenha um papel importante no desenvolvimento de distúrbios metabólicos que afetam uma proporção crescente da população ocidental," observa Charna Dibner, da Universidade de Genebra (Suíça).

O que os pesquisadores queriam confirmar era se a luz natural é mesmo mais eficiente em regular nosso relógio biológico do que a luz artificial, já que hoje passamos quase 90% do nosso tempo em ambientes fechados, com uma exposição muito limitada à luz natural.

Relógios corporais

A equipe de pesquisa recrutou 13 voluntários com 65 anos ou mais, todos com diabetes tipo 2. Eles passaram 4,5 dias em espaços especialmente projetados na Universidade de Maastricht (Países Baixos), iluminados com luz natural através de grandes janelas ou com luz artificial. Após um intervalo de pelo menos quatro semanas, todos retornaram para uma segunda sessão, desta vez no outro ambiente de iluminação.

"Este modelo experimental nos permitiu examinar as mesmas pessoas em ambas as condições, o que limita a variabilidade individual nos nossos resultados," explicou Joris Hoeks. "Para além da fonte de luz, todos os outros parâmetros de estilo de vida - refeições, sono, atividade física, tempo de tela etc. - foram mantidos estritamente idênticos."

Os resultados mostraram que, mesmo durante o curto período do experimento, foi observado um impacto significativo: Nas pessoas expostas à luz natural, os níveis de glicose no sangue permaneceram dentro da faixa normal por mais horas por dia, com menor variabilidade. "São dois elementos importantes que indicam que nossos voluntários com diabetes conseguiram controlar melhor seus níveis de açúcar," afirmou Patrick Schrauwen, membro da equipe. "Além disso, o nível de melatonina estava um pouco mais alto à noite, e o metabolismo oxidativo da gordura também apresentou melhora."

Os cientistas também coletaram amostras de sangue e músculo dos voluntários antes, durante e após cada tratamento com luz. "Analisamos a regulação dos relógios moleculares em células musculares esqueléticas cultivadas, juntamente com lipídios, metabólitos e transcrições gênicas no sangue. Em conjunto, os resultados mostram claramente que o relógio biológico e o metabolismo são influenciados pela luz natural. Isso pode explicar a melhora na regulação da glicemia e a melhor coordenação entre o relógio central no cérebro e os relógios nos órgãos," concluiu Dibner.



Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL: https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=luz-natural-diabetes&id=17137&nl=nlds

14 janeiro 2026

USP desenvolve bateria funcional de nióbio de 3 volts

 

Ferramenta está em fase de testes industriais

A Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu uma bateria funcional de nióbio, que atinge 3 volts, é recarregável, funciona em ambientes reais – fora das condições ideais de laboratório – e já está em fase de testes industriais.

De acordo com o Instituto de Física de São Carlos, da USP, o desenvolvimento da bateria começou há dez anos, pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), líder do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces da USP e pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

O pesquisador conseguiu resolver o principal obstáculo para a construção de uma bateria de nióbio, que é a degradação do metal em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio. Ele descobriu como controlar o ambiente químico para estabilizar o nióbio.


“Eu já sabia que a natureza resolvia esse problema há bilhões de anos”, destaca Crespilho. “Em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, metais altamente reativos mudam de estado eletrônico o tempo todo sem se degradar, porque operam dentro de ambientes químicos muito bem controlados”.

O pesquisador explica que o grupo criou uma caixa de proteção inteligente para o nióbio. "Essa caixa é o NB-RAM [Niobium Redox Active Medium]. Dentro dela, o interruptor [nióbio] pode mudar de nível várias vezes, de forma controlada, sem se degradar. É exatamente isso que os sistemas biológicos fazem, e foi isso que adaptamos para a bateria de nióbio”.

Grande parte do avanço da bateria de nióbio é resultado do trabalho conduzido pela pesquisadora da USP Luana Italiano, que dedicou dois anos ao refinamento do sistema até alcançar estabilidade e reprodutibilidade. O processo envolveu dezenas de versões experimentais, com ajustes sucessivos no ambiente químico e nos mecanismos de proteção do material ativo.


“Não bastava fazer a bateria funcionar uma única vez. Ao longo de dois anos de trabalho no projeto, nosso foco foi garantir estabilidade, repetibilidade e controle fino dos parâmetros”, ressalta Luana.

De acordo com a pesquisadora, o principal desafio foi encontrar o equilíbrio entre proteger o sistema e manter seu desempenho elétrico. “Se você protege demais, a bateria não entrega energia. Se protege de menos, ela se degrada”.

Como resultado, o sistema passou a funcionar de forma estável não apenas em condições de laboratório, mas também em arquiteturas próximas das utilizadas pela indústria. “É um sistema que já funciona em formatos reais”, diz a pesquisadora.

A tecnologia, que já tem um protótipo funcional, teve sua patente depositada pela USP. A bateria de nióbio desenvolvida alcançou 3 volts, faixa de tensão da maioria das baterias comerciais atuais.

A bateria já foi testada em formatos industriais padrão, como células tipo coin (moeda) e pouch (laminadas flexíveis), em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesses sistemas, a bateria foi carregada e descarregada diversas vezes, demonstrando a prova de conceito em ambientes controlados.

Segundo Crespilho, para avançar para a fase final do desenvolvimento da bateria será necessário a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, envolvendo governos estadual e federal, universidades e startups de base tecnológica.

“A bateria de nióbio desenvolvida na USP mostra que o Brasil não precisa apenas exportar recursos, mas pode liderar tecnologias; desde que a ciência seja tratada como prioridade nacional”, disse.

FONTE: Agência Brasil